Mulheres negras são múltiplas e plurais

 

Coluna Jurema Werneck  (Foto: Ilustração: Carol Zeferino)

 

Novembro é mês de memória e luta da população negra para criar um Brasil sem racismo. Celebramos Zumbi dos Palmares, herói nacional. E também há uma mobilização internacional contra a violência de gênero, que resultou na morte de Beatriz Nascimento, historiadora, pesquisadora, roteirista e ativista contra o racismo. Nascida em Sergipe, Maria Beatriz Nascimento é a principal responsável por trazer o conceito de quilombo para a atualidade. Ela viveu no Rio, onde foi assassinada em 1995, nove anos após ter recebido do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher o título de Mulher do Ano. Beatriz foi morta por um ex-marido violento, não dela, mas da amiga que ela tentou proteger.
 

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+ Jurema Werneck

  • A vida para as crianças tem que ser “bonita, bonita e bonita”!
  • Sobre protagonismo, solidão e “desacompanhamento” das mulheres negras
  • Mulheres potentes construíram nossas lutas, mas é preciso ir além

Todos deveriam conhecer Beatriz Nascimento. No filme Ôrí, em que encontramos suas ideias, a historiadora fala da importância da imagem, que hoje chamamos representatividade. Ela diz: “É preciso imagem para recuperar identidade; tem que tornar visível, porque o rosto de um é o reflexo de todos os corpos”. Essa é a essência do Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro: nos reapresentar a nossos heróis, heroínas, e celebrar nossas lutas. Lembrando de Beatriz Nascimento, podemos destacar que, na história da resistência negra, sempre houve mulheres.
 

Encontrar espelhos que nos permitam nos reconhecer e nos reafirmar como humanas é parte central dos processos de eliminação do racismo patriarcal heteronormativo e seus impactos sobre nós e sobre todo mundo. Nós, mulheres negras, temos ativamente produzido nossas próprias imagens e narrativas”
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Falar de nós mesmas, por nós, para nós, é central para a emancipação individual e coletiva. Encontrar espelhos que nos permitam nos reconhecer e nos reafirmar como humanas é parte central dos processos de eliminação do racismo patriarcal heteronormativo e seus impactos sobre nós e sobre todo mundo. Nós, mulheres negras, temos ativamente produzido nossas próprias imagens e narrativas. Quando Beatriz destaca a importância da imagem, ela revela que existem processos de apagamento que devem ser eliminados, que criam estereótipos, que tentam nos fazer desaparecer física e metaforicamente. Isso é o que o racismo faz. Contar nossas próprias histórias é parte da resistência: antes do que falam de nós, o que somos se apresenta pelos exemplos-espelhos que compartilhamos de diferentes formas.

Nossos espelhos de mulheres negras são múltiplos e plurais. Das mobilizações para a derrubada do regime da escravidão, lembramos de mulheres que foram à luta em favor da liberdade, entre elas Aqualtune e Mariana Crioula. Aqualtune foi líder de um dos 11 mocambos de Palmares, o famoso quilombo de Zumbi, que resistiu ao regime colonial por cerca de 130 anos (de 1580 a 1710). Mariana Crioula liderou, com Manoel Congo, a maior rebelião de escravizados no Vale do Paraíba, em 1838, no Rio. Quando o quilombo foi invadido pelas tropas do Império, seu grito se eternizou: “Morrer sim, entregar nunca!”.

A feminilidade negra pode ser encontrada também nas chamadas “mulheres da pá virada”, citadas nos jornais do final do século XIX e início do século XX. Do tipo que não levavam desaforo para casa, elas respondiam com força física às violências que as atingiam. Muitas eram capoeiristas, outras, prostitutas ou cafetinas, algumas, vendedoras. Todas mulheres da rua, num tempo em que a lógica do racismo patriarcal definia o lar como o lugar das mulheres. A história registrou algumas Salomé, Angélica Endiabrada (o nome já diz tudo), Chicão (Chicão era um “cão”, dizia o jornal da época). E Katu, que virou notícia na década de 1930, em Salvador, por suas habilidades de luta. Uma briga entre ela e outra mulher estendeu-se ao guarda que tentou apartar e, uma vez que ele se viu sem forças, chamou uma tropa de dez soldados. Segundo o jornal, Katu derrubou todos eles.

Aqui não se trata de celebrar a violência, mas de demonstrar que mulheres negras agiram com as ferramentas à sua disposição para manter-se, experimentando papéis diversos daqueles que as sociedades lhes impunham. E nos apresentaram repertórios de feminilidade que podem ter influenciado gerações. Nos ensinaram a contrapor fragilidades, vulnerabilidades e violências que o racismo patriarcal heteronormativo deposita sobre nós. Essas narrativas de potência nos ajudam a enfrentar os dias de hoje.

São esses espelhos que nos estimulam a agir para um Brasil e um mundo melhores para as mulheres negras. Beatriz Nascimento tem razão: a imagem recupera nossa identidade!

Jurema Werneck é ativista negra, médica pela UFF e doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ. fundou a ONG Criola e é diretora- executiva da Anistia Internacional Brasil (@juremawerneck).

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